domingo, 17 de maio de 2009

Herdeiros de aquário

Lona nossa de cada dia
Sob essa luz serena que nos alumia
Ora luzes saltitantes
No ritmo frenético de buzinas falantes
Do peito salta um coração em pranto
Mais não um pranto sofrido
E sim o reflexo de um dia mágico, puro surrealismo
Irmanados por um ideal, herdeiros de aquário
Do seu santuário emana o seu ideal
Partículas de alegria em doses cavalares de amor celestial
Traduzem a perfeita sinfonia
De várias vozes de outras culturas, preferências e etnias
A poesia deve ser declamada
Atinge o peito em chamas e apaga o fogo com lagrimas desvairadas
Que rolam dos olhos e se acomodam na face
E que a arte nos indique um novo rumo uma nova “sorte”
Estremecendo as muralhas deste forte
Mudam os paradigmas, carregam o código da vida
Viva essa realidade a cada dia
Que o caminho que nos leva para o alto, seja digno
De ser contado, lido e seguido
O grande mestre chegou à frente e disse:
Amem a todos sem distinção, inclusive os seus próprios inimigos.
(Ricardo)
Obrigado Festa da Alegria

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Horas são

Horas vem, horas vão, oração
Noite fria, lua vazia, vento são
Sinto a brisa, uma velha amiga, afaga com a mão
Aquebranta o meu pranto, me veste com o seu manto da anunciação
Quem eu sou?
Para onde vou?
A fé sustenta a minha aflição
Me perco nos meus desatinos
Me reencontro nos cantos escondidos
Da minha essência em ascensão
A madrugada é o leito dos sonhos perdidos
Recônditos benditos
Levanto a poeira e me encontro na multidão
Horas vem, horas vão, horas são
Passarada anuncia uma nova estrada, uma nova direção
Noite vai e as estrelas caem, como folhas ao chão
Faça como o Sol, que ao vencer a noite, afasta a escuridão.
(Ricardo)


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Flores do Futuro

Segue o rastro que vai ao longe
Donzelas vestidas de pétalas
Destilam o seu perfume
Bailam ao sabor do vento
Como pássaros que não sabem voar
Aromatizam, lançam seu perfume
Meninas rainhas pairando no ar
Revestem o cimento
Retomando o seu lugar
O cinza sai de cena
E a semente germina e faz brotar
Resistem ao concreto
Lideram o último grito, do amor no incerto
O improvável se faz forte, e a vida prevalece
E de gota em gota, uma poça vira mar
Revestem o manto sem vida
Fruto do “improgresso”
Guerreiras benditas lutando por um lar.
(Ricardo)

banheiro

Naquele dia ela saiu correndo. Contra o vento, as lágrimas ficavam pra trás. Contra todos sentia-se mais forte, mas não conseguia deixar pra trás as coisas que sentia. A única coisa que queria era se trancar em algum lugar onde poderia ficar sozinha, onde ninguém a incomodasse, perguntasse, indagasse...O banheiro – pensou ela. Um banheiro, quero um banheiro – E lá se trancou e ficou por três dezenas de minutos. Se tudo aquilo que esmagava seu coração pudesse criar vida, ela acabaria com todos num só soco, em uma só porrada. Ou seus sentimentos a devorariam de uma forma voraz, assim como um leão devora a sua presa. Olhou ao redor pra ver se encontrava alguma coisa, qualquer coisa que pudesse levar embora as coisas que sentia. A descarga! – lembrou ela. A descarga vai levar tudo embora,,, Olhou bem para aquela sua aliada, concentrou seus sonhos de menina, a idiotice de alguns deles, os doces desabafos tão ingênuos quanto sua atitude naquele dia. Com a descarga seus sentimentos foram embora. Livre de todo o peso que estavam sobre suas miúdas costas, a menina chorou aliviada. Agora posso ir embora. Antes de chegar a porta, olhou pro seu lado direito e se viu no espelho. Pra ele restou indiferença. Olhar pro espelho nem sempre é agradável porque você não enxerga quem você vê. Se olhar no espelho é encarar a si mesmo, é a única possibilidade de olhar no fundo dos seus olhos e ser sincero contigo. Portanto ela não podia mentir, nem fingir, tampouco interpretar. E aquele soco sem igual que tinha vontade de acabar com as criaturas deu-se no espelho esmiuçando sua curta história, seus grandes conflitos. (Ana Cláudia Faccin)