segunda-feira, 17 de maio de 2010

Heróis da Vida

Segue em frente o poeta e seu repente

De repente pela luz do seu olhar

Famintos e com sede de amor

Olha em volta tá na hora de acordar

Não percebem o mal que eles fazem

Com os seus pensamentos desconexos

Parece uma nau à deriva

E o leme é o orai e vigiai

Só pra quem sabe amar

Sente a música pulsando como um todo

Abra os olhos e comece a caminhar

A estrada tem buracos e espinhos

Mas no caminho as flores vão desabrochar

Esses são os heróis da vida

Sorriem e choram mais não deixam de amar

(Ricardo)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Revol unção


Declare guerra contra o lobo de dentro declare guerra

Pois a solidão te enfraquece é um lamento declare guerra

Pois Deus nos fez somente para amar (para amar)

Levante a cabeça saia na rua e grite vamos pra vida

Não quero mais ser um coadjuvante

Vendo a vida passar

Cada instante me interessa

Daqui pra frente eu tomo as rédeas pode deixar

Não quero mais ser escravo do medo de errar

O amor que me guia pelas estradas da vida

Deixo pra trás a cegueira

Agora eu quero mesmo é enxergar

Há dias e dias que eu sinto frio

Mas eu sei que é possível esquentar (um coração gelado)

Levante a bandeira o amor não pode esperar

Cara a cara a ferida esta aberta

A revolução esta pra começar

Mas a arma é o amor.

(Ricardo)

 

 

 

                


 

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sinal verde

Corre se apressa
O sinal já abriu
Não deixe que eles te peguem
Olhe nos olhos deles
Estão atrasados, irritados, fechados no seu mundo motorizado
Se vacilar eles passam por cima
Cuidado ao correr
Não deixe cair pela faixa de pedestres suas angustias,
Suas dores, seus pesares e seus temores
Tente chegar ileso do outro lado da rua
Incrível como não é possível ter paz
Nem em um inofensivo semáforo.
(Ricardo)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Teus sinais

Viu a flor que desabrochou
Só pra poder te contemplar
De onde vem a força da flor
Que rompe a terra sem cessar
E aponta para o céu azul
Convida o vento a bailar
E o vento que se apaixonou
Quando viu você passar
Vem ver a poeira solta pelo ar
Te abraça sem você perceber
Te ganha sem você pensar
Será que o amor aportou no cais
Será que a onda não levou
Embora todos os teus sinais
Da candura que tanto te marcou
Do conceito de bom rapaz
Onde estará a fé em nós
Será que se perdeu no penar
Será que enfim vai perceber
E finalmente encontrar
Nas pequenas coisas da vida
(Ricardo)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mulher Natureza

A primavera chegou. Em São Paulo, o friozinho e a cor chata não condiziam com a proposta da nova estação. Do asfalto, cinza. Do céu, chuva. Sinceramente, tais coisas que acabei de escrever não faziam do meu sorriso o mais sincero tampouco meu humor legal. O temperamento estava volúvel, é verdade! São coisas de mulher. Coisas que só uma mulher poderia entender.
Em determinados períodos as mulheres são assim mesmo. Posso até compará-las com a própria natureza; impetuosas e cínicas, atacando a todos com palavras e atitudes grosseiras como a tempestade forte, o vento frio e os trovões barulhentos. Somos ingratas como a alteração do tempo, que mudam sem avisar e pegam desprevenidas as pessoas que estão ao redor.
“Poxa vida”, pensei! “Será que sou a única que me sinto assim? Angustiada, cobrada, derrotada?”...

Me “policiei” para não machucar ninguém inocente, afinal de contas, isso é muito perigoso. Fiquei no meu canto, observando as atitudes das minhas amigas, todas lindas, cada uma com sua particularidade, seu estilo, forma de falar, gesticular, se vestir. É linda a forma como as mulheres passam as mãos em seus cabelos, arrumam a blusa, enfim... Reparando em todos esses detalhes, até a mulher que foge do padrão de beleza atual se torna muito interessante.
Uma de minhas amigas está prestes a se casar. Ela entrou na sala onde eu estava, toda falante, contando as coisas que ainda faltavam para sua nova casa, das dificuldades em selecionar os convidados, da falta de dinheiro, dizendo-se ansiosa para o grande dia. Imaginei que ela pudesse estar cansada. Aliás, posso afirmar que ela realmente estava cansada, mas satisfeita. De certa forma, aquela conversa me fez sentir melhor. Como se por acaso as minhas pilhas tivessem sido recarregadas. Esse é o tipo de coisa que só uma mulher pode entender.


Lembrei de outra pessoa, que certa vez desabafou sobre as dificuldades que sentia ao chegar na menopausa. Os hormônios impetuosos que causam alteração de humor, de apetite sexual e falta de disposição estavam lhe castigando. A menstruação é uma companheira da mulher durante uma vida. Acredito que a ausência dela gera conflitos difíceis de assimilar assim, de pronto. Mas essa é apenas mais uma missão impossível para o sexo feminino. Mais uma vez, repito: coisas que só uma mulher poderia entender.


Mesmo fadigada com meus pensamentos e não demonstrando tanta satisfação, dediquei aquele dia de primavera a filosofar sobre o sexo feminino. A maternidade, o lar, o marido, o trabalho, o sexo... Tudo isso é que a faz de uma mulher, ser realmente uma mulher.
É besteira, mas naquele dia, antes de dormir pensei: “Será que alguém entenderia as coisas que estou entendendo?”. Naquele instante entra no meu quarto a Lurdinha, minha gatinha de estimação de 15 anos, com seus passos lentos, gorda que ela só. Miou pra mim como se pedisse licença pra pular na minha cama, encostou de focinho gelado em meu rosto e se aconchegou. “Eu sei, eu sei Lurdinha. Você me entende...”. Só uma mulher entende outra mulher, independente de sua natureza.

Ana Cláudia Faccin - em Meros Devaneios Tolos www.anafaccin.blogspot.com

domingo, 6 de setembro de 2009

Reinações na terra dos canários

Foi proclamado, instituído, reiterado
Agora pras bandas de cá a nova lei é: se enquadra no nosso esquema, ou será punido, caçado e eliminado
Essa é a política dos despolitizados
O rei mandou tá falado
Tapam a boca dos coitados com pão, água e uns trocados
Sufocam a única arma dos pobres plebeus que é o conhecimento livre desinteressado
Desarticulam a pilastra central de uma nação que é a igualdade, liberdade e fraternidade
Nem só de pão, água e circo vive o proletariado
O alimento para a alma deveria ser obrigatoriamente promulgado
Não tratem o povo como meros coadjuvantes em um palco repleto de cobras e lagartos
Lembrem-se que as reinações opressoras um dia farão parte do passado
E os dias de hoje serão lembrados com gosto de puro fel mais do que amargo.
Viva o Brasil!!!!!!!!
(Ricardo)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Guerra de Palavras

Discurso falido
São os mesmos que estão no poder
Propina, conchavo corrupção
Eles criam suas próprias leis
A gangue dos engravatados se une
E a festa é geral
Não sabem que um dia padecerão
Do seu próprio mal
Senta que o show vai começar
Esta na sua cara
E você é convidado especial
A cena do crime esta armada e a guerra é geral
Esta escancarada no jornal
O esquema é perfeito
E o dinheiro que ninguém nunca viu
É a mesma cena que se repete
Ninguém sabe ninguém viu nem ouviu
É preciso começar de novo
Retornar do ponto que partiu
Senta que o show vai começar
Esta na sua cara
E você é o convidado especial
A cena do crime esta armada
E a guerra é geral
Esta escancarada no jornal.
(Ricardo)

sábado, 22 de agosto de 2009

Eu, Centopéia

Era uma manhã de agosto. Ensolarada, mas fria. Eu, minha mãe e meu pai saimos pra dar uma volta pela beira da praia, aproveitar o vento fresco, o ar mais puro do que de costume, sentir o carinho do sol em nossos rostos (que coisa mais româtica, não é?). Enquanto caminhávamos, nós falávamos sobre coisas da gente: família, trabalho, atualidades, enfim, conversas jogadas literalmente "ao vento".
Durante a caminhada, eu olhava fixamente para o chão, observando o caminho que aqueles bichinhos de praia, os corruptos, deixavam como rastro. É engraçado imaginar que existe vida em todos os lugares, inclusive embaixo da areia. É bom pensar, ou fantasiar talvez, que exista um mundo só desses bichinhos, onde também há dificuldades, desafios e barreiras a vencer. Ao modo deles, claro.
Então, conforme direcionava meu olhar atentamente para o chão, percebi um rastro um tanto quanto engraçado. Era um rastro fininho que dava várias voltas ao redor dele mesmo, da direita, pra esquerda, voltava para o mesmo lugar de onde havia começado, ia pra frente, voltava, depois recomeçava e ia um pouco mais em direção ao mar. Aquilo chamou minha atenção ao ponto de parar para seguir aquele caminho. Chegando ao final dele estava uma centopéia de praia, com suas centenas de pares de pézinhos, andando depressa, sem parecer saber exatamente pra onde estava indo. Dei risada ao vê-la andando tanto. De certa forma ela estava indo pra frente, mas o caminho a percorrer ainda parecia longo, dependendo do seu destino. Eu, toda curiosa, perguntei pra minha mãe: " - Para onde será que ela quer ir, hein mãe? Senão eu poderia levá-la até lá". E minha mãe me disse: "- Não vai levar ela pra lugar nenhum. Vai atrapalhar ao invés de ajudar".
Meu pai e minha mãe continuaram caminhando, mas eu ainda fiquei um tempo observando o "andar" daquela centopéia. Comecei a imaginar que cada metro quadrado de praia para ela era um novo mundo a ser explorado. Aquela extensão inteira de praia então, era um universo impossível de ser conquistado. Quem seríamos nós, seres humanos, na visão daquela centopéia. Ah, se ela pudesse enxergar além dos seus limites e pudesse ver as coisas com tanta clareza como eu estava vendo, com certeza ela não daria tantas voltas pra não ir para lugar algum. Certamente, sua dificuldade em encontrar um foco em seu caminho seria tão insignificante. Se ela pudesse me entender, eu diria a ela que continuasse sempre reto, se o destino dela fosse o mar. Naquele momento pensei em Deus, no Planeta Terra, olhei pro mar, mentalizei o Universo e me coloquei na situação daquela centopéia diante de tudo isso. Ah, se eu pudesse entender um pouco que fosse sobre toda essa imensidão, impossível de ser explorada por mim. Ah, se eu pudesse entender os sinais que Deus me dá todos os dias pra saber que meus obstáculos são tão pequenos em relação ao infinito, considerado um mistério diante da minha inteligência. Ah, sou tão pequena quanto minha amiga centopéia.
Naquela manhã fria e ensolarada, foi bom encontrar aquela centopéia. Ela, na sua pequenez, ainda assim me ensinou algo bonito. Mas eu, na minha ignorância, não pude ensinar nada a ela.

Por Ana Cláudia Faccin

sábado, 20 de junho de 2009

Coração Partido

Calma é mais um caso de coração partido
Eu sei a todo instante estamos correndo perigo
E quem disse que seria fácil
Que minha loucura seria perdoada
E que viveríamos felizes para sempre
Como um conto de fadas
Entra na dança se finge de criança
E diz que esta tudo bem
Muito bem meu bem
Hoje acordei tão cedo que até parece que não acordei
Como um cão sem dono me perdi no contorno
Onde foi parar minha lucidez
Sempre a perco por ai
Vou colocar na coleira pra ver se um dia respondo por mim
É assim mesmo intenso
Pretendo um dia arrumar um amor particular só para mim
Mas não pode olhar pro lado
Tem que ter muito cuidado sou sensível sim e daí
De agora em diante prometo que serei um belo galante
A sussurrar doces palavras cantantes
Só pra ter um romance inteiro pra mim.
(Ricardo)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Humanação

Canto que acalanta o pranto
Um canto pra fazer sorrir
Um céu cinza em desencanto
Assopra as nuvens e veja o novo porvir
Uma nação se agita e levanta a bandeira da paz e da justiça bendita
Salve, salve sobreviventes do caos
Em frangalhos, do pó da vida saístes, ao pó da vida retornastes
Farol solitário ilumina esse educandário, alça o vôo livre rumo ao coletivo imaginário
Bendito sois vós humilhados pela massa de adormecidos desavisados
Algozes ferozes com os instintos desequilibrados
Sigam em frente desbravadores signatários
Inscrevam a marca do amor nos corações petrificados
Nesta nação que já nasceu com um legado
Avante gigantes acendam as lâmpadas deste palco e o deixem todo iluminado.
(Ricardo)